“A gente virou um canhão para a inclusão produtiva”

Para Jean Jereissati, presidente da Ambev, suas novas metas sociais refletem a crença de que não adianta crescer sozinho – e é preciso compartilhar com a sociedade o poder e o conhecimento que tem internamente

Pela primeira vez não apenas ele, mas todos os demais executivos da Ambev, possuem indicadores relacionados à estratégia ESG da companhia. O esforço em avançar na pauta social reflete, segundo Jereissati, um passo a mais no esforço de não apenas mitigar o impacto da companhia como migrar para a chamada “economia regenerativa”. Ou seja, deixar um legado positivo para o mundo. A seguir, os principais trechos da entrevista do executivo a Época Negócios.

ÉPOCA NEGÓCIOS Por muitos anos, a estratégia ESG da Ambev se concentrou fortemente na agenda ambiental. Os temas sociais parecem ter ganhado mais atenção mais recentemente – por quê?
Jean Jereissati

O social vem tomando corpo com uma profunda reflexão, da empresa como um todo, de como as marcas se conectam com os consumidores e do papel da Ambev como protagonista no ecossistema brasileiro. Tivemos dois momentos importantes. Em 2017, a gente lançou a [marca de água mineral] AMA, que destina 100% do lucro para uma iniciativa de impacto social, de levar água para quem não tem. Depois veio o VOA, nosso programa de voluntariado, por meio do qual a gente apoia com gestão ONGs que majoritariamente ajudam crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade.

A pandemia foi uma virada importante para repensar nosso papel. A cerveja é uma categoria inclusiva e local, e a gente vem trabalhando muito com essa visão: ‘Como é que a gente traz inclusão pra nossa empresa?’, ‘como a gente começa a dar o passo em direção ao ecossistema?’, ‘como a gente zera o impacto?’ e ‘como é que a gente melhora a comunidade?’.

NEGÓCIOS Qual tem sido a lógica para eleger as prioridades nessa frente social?
Jereissati

Olhando e tateando todos esses problemas, a gente percebeu que tem dentro de casa um superpoder de trazer inclusão e prosperidade. Nosso ecossistema, que é gigante, vai da agricultura até o empreendedor que tem um bar. Ao mesmo tempo a gente tem a universidade interna, Ambev U, que deu um salto em treinamento de programadores, porque estamos nos desenvolvendo em tecnologia. A gente tem muito conhecimento de negócios, de educação e de fazer o negócio dar certo. Por isso a inclusão produtiva fez brilhar o olho de todo mundo. Tudo o que a gente faz bem, internamente, a gente quer levar para uma comunidade maior, para todo o ecossistema ao redor, ajudar os nossos bares a se profissionalizarem, ajudar o Brasil a ter uma formação de capacidade em tecnologia melhor do que tem hoje, como a gente tem feito internamente.

NEGÓCIOS Pela primeira vez os executivos da Ambev têm, neste ano, metas atreladas ao bônus e relacionadas à agenda ESG. Quais são as suas?
Jereissati