Veja como conseguir crédito para o seu negócio

Entenda o sistema, o processo e como está o cenário atual de crédito para empresas

Especialistas indicam cautela na hora de aderir à modalidade e dizem que há situações em que não se deve buscar crédito. A reportagem conversou com Eliane Cunha, consultora de negócios do Sebrae-SP e com Antonio André Neto, professor da FGV-RJ e coordenador do MBA de gestão estratégica e econômica de negócios. Veja a seguir três perguntas e respostas sobre o assunto.

A Caixa Econômica Federal, por exemplo, é a principal operadora do Pronampe (Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte), apesar de ser possível receber o empréstimo numa conta de outro banco.

Outra parte do sistema de crédito são as instituições do mercado financeiro privado. "A XP, por exemplo, é uma financeira privada que tem programas de crédito aos empreendedores",  diz o professor da FGV.

Uma forma mais direta pode o cartão de crédito, com a antecipação de recebíveis. Essa é uma estratégia possível para os empreendedores que usam maquininhas. Eles podem pedir essa antecipação de pagamento ao banco.

Além disso, é possível pensar no crédito para além do sistema financeiro: se o seu fornecedor aceita que você pegue mercadorias e pague em 40 dias, por exemplo, essa é uma forma de crédito.

Ela explica que, como a inflação está em 13% ao ano, a média mensal é de 1,5%. Por isso, juros entre 2% e 1% são considerados bons.

O Sebrae tem uma parceria com o Banco do Povo para crédito, em que o empresário precisa assistir o curso Descomplique para obter empréstimos com juros a partir de 0,35% – para negativados, a taxa é zero. O curso dura cinco dias e aborda finanças, marketing, planejamento e administração. No modo presencial, são 20 horas, e na modalidade online, 10 horas.

Cunha cita também o Desenvolve SP, banco voltado para empreendedores, que oferece juros baixos e com carência acima de seis meses. Segundo a especialista do Sebrae-SP, não é preciso ter CNPJ para buscar o crédito da instituição, podendo microempreendedores pedir o empréstimo como pessoa física. Nesse caso, eles precisarão demonstrar o funcionamento da empresa com outros comprovantes.

Se sua empresa tiver um viés de inovação, é possível aderir a programas que financiam pesquisas. "É o caso da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), instituição em que o empreendedor faz o pedido de crédito e recebe o valor através de uma universidade ou incubadora de empresas", explica o professor da FGV-RJ.

"Fintechs e cooperativas de crédito têm opções interessantes. Às vezes, o empreendedor tem receio de conhecer, mas elas também têm boas taxas de juros", diz Cunha.

Sobre o Pronampe, a consultora afirma que há facilidades, porém, ainda existem obrigações exigidas pelo programa. "No Pronampe, o empreendedor não tem de apresentar o aval de crédito, o governo entra com um fundo garantidor. E, é claro: o programa tem critérios, sendo analisado o nome do empresário, se ele não tem dívidas."

O Sebrae também tem uma parceria para crédito com a Caixa, o Fampe (Fundo de Aval para as Micro e Pequenas Empresas). O programa também tem uma contrapartida educativa: o empreendedor precisa assistir a um vídeo do Sebrae que ensina sobre finanças e fluxo de caixa, no site do programa do banco. "Depois de ver o vídeo, o site leva o empreendedor para o contato com o gerente da Caixa", diz Cunha.  Empresas de pequeno porte têm taxa de juros de 1,69%. Para MEIs, microempreendedores individuais, a taxa é de 2,24%.

Com isso, vem o alerta dos especialistas: "Pegar empréstimo para pagar dívidas é ruim. se você não tratar o problema que gera a dívida na sua empresa, o crédito não resolve. Quando sua capacidade de pagamento é menor que a parcela, você ficará no vermelho", afirma Cunha.

"O problema do pequeno empreendedor é misturar o dinheiro pessoal e o empresarial. Gaste menos, aperte os custos seus e da família para conseguir sanar suas dívidas", aconselha Neto.

Cunha afirma que o empréstimo é bom para algo que gere retorno financeiro. "Por exemplo, para aumento das vendas, ou para uma oportunidade de investimento – projetos adequados com a realidade financeira do seu negócio."

O professor é mais pessimista com a oferta de crédito atual. "Não é o momento de pegar crédito. O custo do crédito hoje, no Brasil e mundo, está proibitivo. Não pegue dinheiro agora se não precisar", alerta. Para ele, o ano que vem tem perspectivas melhores no cenário das taxas de juros (que são baseadas na inflação e na Selic), num momento pós-pandemia e pós-eleições.